Notas sobre a sapiência e o conhecimento de si
Inconteste
Escrevo esse título como adjetivo, mas também o penso como um "imperativo negativo": nao conteste, afinal contestar nao é possível. É só isso que eu, um anti-fa de Nadal, posso dizer ao final da jornada preparatória de Roland Garros de 2010. Nao bastasse se tornar o primeiro tenista a vencer a trinca de saibro (Montecarlo, Roma, Madrid - antigamente Hamburgo) na mesma temporada, Nadal o faz perdendo, ao longo destes tres torneios e de suas quinze partidas, meros 2 sets (um contra Gulbis, em Roma, e um contra Almagro, em Madrid). Supremacia absoluta. Inconteste.
Na final deste domingo, venceu Federer do modo ao qual Nadal está acostumado. Foi uma partida muito equilibrada em games (6/4 7/6) e muito equilibrada em pontos (85 a 84). Mas no tênis, esse esporte incrível que impõe o desafio de auxiliar constância e frieza a grandes impulsos e sangue quente, o que conta, sobretudo, é ganhar os pontos importantes. E Nadal que, é dono se um equilíbrio mosntruoso ao longo de todas as partidas (ele odeia e faz cara feia mesmo quando erra uma mísera bola perdendo de 0 no servico do oponente quando o jogo está 5 a 1 a seu favor), consegue, justamente contra Federer, ser mais pulsante nas horas decisivas.
O que nao gosto muito de Nadal é sua tática excessiva. O espanhol possui um jogo extremamente metódico, joga no erro mínimo e forcando constantemente o oponente ao erro ou à desistencia do ponto. Essa tática nao é nova. Hewitt adotou-a e isso o levou a ser campeao em Wimbledon, no US Open e a terminar como número 1 em duas ocasioes. Hoje, outro adepto que vem colhendo grandes frutos é Murray.
Agora, o que diferencia Nadal destes dois ícones da resistencia sao tres itens. Primeiro, Nadal possui uma estatura mediana, que o permite cobrir bem a quadra, em altura, e ainda lhe concede enorme habilidade, para correr e se movimentar com maestria. Segundo, Nadal tem uma forca mental colossal, que o coloca, nesse quesito, entre os maiores dos maiores: nao desiste nunca e, ao mesmo tempo, se entrega ao plano tático como servo se dedica ao mestre. E terceiro, o que nao poderia faltar, Nadal é muito talentoso. Varia forca a toques sutis, ataques poderesos a contra-ataques milimétricos.
Nao sei como Federer chega a Roland Garros. Ele já conquistou lá seu título no ano passado, completando o Grand Slam. Todos sabem que ele ama Wimbledon e deve, até o fim da carreira, que ainda tem uns cinco anos, querer se tornar o maior vencedor em Londres (tem seis títulos, um a menos que Sampras). Ele tem tudo para, em poucas semanas, ultrapassar o americano no número de semanas como númeo um do mundo, e neste ano irá ultrapssar a barreira de 700 vitórias pelo circuito profissional. Neste ano, aumentou seu recorde pessoal de 16 Grand Slams, o que dificilmente será batido em curto prazo, mesmo por Nadal, que tem 6 títulos. Mas depois destes recordes e destas motivacoes que lhe restam, será que o maior triunfo que Federer ainda possa obter nao é justamente derrotar Nadal em Roland Garros?
Tudo aponta para grandes jogos e resultados nas próximas no mundo do tenis.
Prévias de um grande momento no mundo do tenis?
O mundo do tenis se aproxima de um de seus ápices anuais, que pode, neste ano, ser ainda mais importante.
Nas próximas duas semanas, serao jogados os últimos torneios preparatórios para o saibro de Roland Garros, marcado para junho. Depois disso, em questao de um mes, sao jogados os únicos torneios 250 de grama e a temporada de verao europeia acaba com Wimbledon. Assim, em dois meses (o "ano tenístico" abarca dez), temos a disputa dos dois maiores torneios da história. Além de muita tradicao, há também muito potencial para pontuacao: o audacioso campeao dos dois Grand Slams em terra e grama agrega 4.000 mil pontos no ranking.
Pois, em 2009, a audácia coube a Federer. Junto a esses 4 mil pontos, somem-se mais mil que ele defenderá na semana que vem no Masters 1000 de Madrid, e temos quase metade dos pouco mais de 10 mil pontos que o suico ostenta como número 1 do mundo. Ou seja: metade da lideranca de Federer será posta a prova.
Federer, no entanto, vem em péssimo momento. Após um início de ano fulminante com a conquista da Austrália, Federer acumulou derrotas nas rodadas iniciais de todos os outros (meros) tres torneios que jogou. Conseguiará ele, novamente, superar suas atuacoes apáticas e imprimir o ritmo e o estilo em Paris e Londres? Ao longo dos anos, vale recordar, a atuacao de Federer em torneios nao-Grand Slam vem decaindo bastante, enquanto que sua performance nos majors seguem inabalável. (De seus quase 10,5 mil pontos, 8,2 mil foram conquistados em Grand Slams).
Em 2008, o audacioso que havia sido Nadal, que perdeu quase todos seus 4 mil pontos ao cair nas oitavas de Roland Garros e nao jogar Wimbledon por problemas no joelho. Isso lhe rendou uma queda brusca no Ranking (chegou a ocupar a quarta posicao). No entanto, seu grande tenis apresentado (e recuperado) no saibro, neste ano, é promessa de que ele vá com tudo para recuperar seus títulos principais.
Os dois poderosos meses de saibro e grama podem, assim, indicar uma reviravolta no ranking, sobretudo de Djokovic e Murray nao recuperarem a forma forte, consistente e decisiva que lhes rendeu sólidas posicoes entre o 2 e 5 do mundo já há mais de dois anos. Ao mesmo tempo, Federer tem bons atrativos além dos Grand Slams para finalmente voltar a jogar bem. Sao tres marcas em vista:
1) se ele conseguir defender pelo menos metade dos seus 4 mil pontos, ele irá superar Sampras como o tenista que mais semanas liderou o ranking;
2) se ele vencer mais tres torneios, ele também supera o grande americana em total de torneios ganhos;
3) vencendo os torneios, Federer acumularia cerca de 20 vitórias, o que lhe romperia a barreira das impressionantes 700 vitórias na carreira.
Abaixo de Federer, Nadal, Djokovic e Murray, que compuseram até agora um grupo à parte, há boas expectativas em vista. Verdasco vem apresentando um tenis bem sólido e competitivo. Roddick teve um início de ano excelente e tem boas chances para emplacar uma nova boa campanha em Wimbledon. Gulbis, o letao lunático, pode ter aprendido com sua boa corrida em Roma, quando venceu Federer e foi o único a vencer um set contra Nadal. E Soderling, el matador de Nadal, também vem correndo bem na terra batida, granhando confianca um pouco da necessária para defender sua final de Roland Garros no ano passado.
